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Como Devorar Livros


Sarah J. Maas consegue levar seu leitor à loucura em Corte de névoa e fúria, segundo volume da trilogia de fantasia Corte de espinhos e rosas. Afinal, que livro foi esse? Ainda estou processando tudo o que li, com esse universo mágico e único fresquinho na cabeça. Escrevo esta resenha com Prythian na mente. 

Nessa continuação, a jovem humana que morreu nas garras de Amarantha, Feyre, assume seu lugar como Quebradora da Maldição e dona dos poderes de sete Grão-Feéricos. Seu coração, no entanto, permanece humano. Incapaz de esquecer o que sofreu para libertar o povo de Tamlin e o pacto firmado com Rhys, senhor da Corte Noturna. Mas, mesmo assim, ela se esforça para reconstruir o lar que criou na Corte Primaveril. Então por que é ao lado de Rhys que se sente mais plena? Peça-chave num jogo que desconhece, Feyre deve aprender rapidamente do que é capaz. Pois um antigo mal, muito pior que Amarantha, se agita no horizonte e ameaça o mundo de humanos e feéricos. 

Algo que, infelizmente, acontece com certa frequência em séries de livros é que a história vá definhando, perdendo força e ritmo conforme as continuações vão sendo lançadas. Isso não acontece no segundo volume desta trilogia. Muito pelo contrário, em Corte de névoa e fúria, Sarah J. Maas presenteia seu leitor com muita ação e adrenalina, além de desvendar um pouco mais do mundo incrível que criou através das páginas e dar vida a novos personagens - com tanto para acrescentar quanto os que já conhecemos.

Gostaria de falar sobre a personagem principal, Feyre. Desde o primeiro capítulo do primeiro livro, ela é uma personagem que apresenta muito potencial. Tudo seu é muito bem explorado nesta continuação - suas vontades, sentimentos, sonhos, capacidades e principalmente sua força. Feyre tem tudo para ser enquadrada na categoria de heroína contemporânea e é isso que faz com que simpatize tanto com a nossa querida Quebradora da Maldição. Uma heroína que não aceita ficar trancada ou sentada esperando, que está disposta a por a mão no fogo pelo que acredita e quer proteger. A Feyre de Corte de névoa e fúria é uma grande evolução da de Corte de espinhos e rosas - e se a anterior já não era incrível e indomável, a que surge em seguida consegue ser o dobro: ninguém a segura!

Acredito que já tenha ficado claro que este segundo volume é muito mais intenso que o primeiro - em todos os sentidos. Um deles é o romance, que se torna mais apimentado e atraente. Maas dedica páginas a mais para desenvolver cenas românticas - e que cenas! Para quem ama fantasia e romance cheios de reviravoltas emocionantes, esse livro é um prato cheio.

O que mais posso fazer além de esperar pelo terceiro e último livro? O universo de Sarah J. Maas é muito mais do que atraente: é envolvente. O tipo de mundo que você daria tudo para dar uma espiadinha, independente dos possíveis riscos. Estou esperando ansiosamente pelo que está por vir e se tratando dessa autora, só pode vir coisa boa. 
segunda-feira, março 05, 2018 No pessoas devoraram

Em Por que ler os clássicos, Italo Calvino fala que um livro conceituado como clássico é, dentre tantas outras explicações, um livro que nunca terminou aquilo que tinha para dizer e que suas leituras são, na verdade, releituras. Enquanto era levada pela narração da pequena Scout Fincher em O sol é para todos, não consegui pensar em outra coisa senão nas palavras de Calvino. A primeira obra de Harper Lee é considerada um clássico não só da literatura norte-americana, como também da mundial, passando por todas as descrições de Calvino. 

Ao apresentar ao leitor a vida dos irmãos Jem e Scout Fincher, filhos do advogado Atticus Finch, Harper Lee está tocando em um dos assuntos mais delicados e presentes na história dos Estados Unidos: o preconceito. Nascidos e criados na pequena e conversadora cidade de Maycomb, O sol é para todos narra uma série de acontecimentos que chacoalham a vida dos irmãos Fincher: das tentativas de fazer o vizinho misterioso Boo Radley sair de casa ao momento em que seu pai é encarregado de defender um homem negro, Tom Robinson, de estuprar uma garota branca.

A narração por Scout Fincher, uma garota de apenas seis anos de idade, dá ao livro um toque delicado a um tema forte e espinhoso. A Maycomb apresentada no livro é a cidade pelos olhos de uma criança em formação e sem conhecimento de 1/3 das camadas que uma sociedade pode ter. Pelas entrelinhas, o leitor vai traçando suas características. É interessante notar que a escolha por uma cidade em Alabama não é coincidência: o sul dos Estados Unidos é e sempre será marcado pela escravidão.

Na primeira parte do livro, Scout mostra-se uma menina curiosa ao compartilhar suas aventuras ao lado do irmão e seu amigo, Dill. Harper Lee muda o ambiente tranquilo dos personagens na segunda parte, quando os habitantes de Maycomb reagem de maneiras distintas às atitudes de Atticus Finch na defesa de Tom Robinson. Sendo assim, se na primeira parte o leitor conhece Maycomb, é somente na segunda que o mesmo enxerga a cidade, que ganha vida ao mostrar as garras. Tanto Scout quanto Jem sentem na rotina os efeitos da decisão do pai. Atticus Finch é, aliás, um dos personagens de coração mais puro que já vi na literatura.

O sol é para todos discute com uma delicadeza única temas como racismo, direitos humanos e heranças (negativas) históricas. Ouso dizer que as leituras desta obra não se cessam, pois os sentimentos explorados na mesma permanecem vivos além das páginas. Trata-se, portanto, de uma história que se encontra não somente nas linhas ou entrelinhas, mas na pele de muitos.

Na minha estante há tempos, admito que adiei minha leitura de O sol é para todos o máximo que pude, encontrando no inglês bastante informal uma desculpa para tanto. No entanto, acredito que li no momento certo. Provavelmente um dos melhores livros que já li, digno de todos os elogios e prêmios recebidos.

Uma verdadeira obra prima! Palavras nunca serão demais para retratá-la, buscam "somente" se aproximar de toda a sua grandeza. 
segunda-feira, fevereiro 19, 2018 2 pessoas devoraram
Existem livros que surgem em nossas vidas quando menos esperamos. São livros que chegam às nossas mãos por vias distintas e se mostram tão surpreendentes em si mesmos quanto o caminho que percorreram para chegar até seu leitor. Foi dessa forma inesperada que Mi maior, o livro de estreia da jornalista Milena Rodrigues, chegou até mim. Através de uma mensagem privada que o Facebook decidiu não me informar sobre. Então, iniciei minha jornada pelo 42 contos que compõem a obra sagaz que é Mi maior. 
Em 42 pequenas histórias, Milena Rodrigues traça um variado panorama da alma humana. O amplo leque de personagens e de situações aqui retratadas, sempre com graça e leveza, compõem um painel do mundo urbano contemporâneo, com suas aventuras e tragédias, seus golpes e trapaças, suas graças e desgraças. 
Apesar das muitas surpresas que o livro me proporcionou - desde como chegou às minhas mãos até as histórias contadas -, em momento algum fui pega de surpresa por sua qualidade: algo, bem lá no fundo, aquele 5º sentido que só um leitor assíduo tem, me dizia que seria assim. Milena Rodrigues é uma contadora de histórias nata, dona de uma criatividade invejável. Parafraseando o próprio Ruy Castro, Milena tem facilidade para inventar tramas. Porém, não falo aqui de uma trama qualquer e sim, histórias tão bem construídas que chega ser difícil imaginar como a autora conseguiu falar tanto em poucos parágrafos. Isso não pode ser outra coisa senão um superpoder, e Milena soube dominá-lo como ninguém. 

O conteúdo de seus contos é vasto, mas todos se encontram em um único ponto: humanidade. Falar de seres-humanos é falar de vida e falar de vida é adentrar em suas complexidades e peculiaridades. É nesse panorama que os contos gravitam em torno. Longe de qualquer olhar questionador, mas carregado de um tom sagaz, por vezes irônico, mas sempre muito inteligente. Posso dizer que temos de tudo e, melhor ainda, para todos os gostos, o que mostra, claramente, a diversidade de histórias presentes. De pianistas que caem no pancadão com um novo refrão à Mulas Sem Cabeças que fazem um ensaio sexy para um site masculino - este último, certamente, um dos melhores contos que já li na vida de tão sensacional.

Por serem contos curtos e de conteúdo tão interessante, não pude deixar de pensar o quão interessante seria se o livro inteiro - ou determinados contos - fosse trabalhado em aulas de Língua Portuguesa e nas escolas. São textos divertidos, bem escritos, diferentes e criativos como os de Milena Rodrigues que, muitas vezes, fazem falta nas dinâmicas de sala de aula. O quão incrível seria ter trabalhado um dos contos da autora em alguma aula! Quanta gente precisa lê-los!

Ao descobrir que Mi maior foi escrito ao longo de somente duas noites - seria outro superpoder da autora? -, é impossível não ficar ainda mais animado para se debruçar sobre o livro e ler tudo em menos de duas noites - acaba se tornado uma aposta. Foi sorte grande que o livro tenha caído em meu colo e eu só posso fazer uma recomendação a todos vocês: leiam Mi maior. Não somente por ser literatura nacional, mas porque vale muito a "pena" - que, neste caso, está muito mais para prazer do que pena, na verdade. Deixe-se levar por 42 histórias únicas, sem igual e que graças a sua originalidade, nos marcam e nos faz querer compartilhá-las com o mundo. É por isso que estou aqui, é por isso que essa resenha existe. 

Termino dizendo - e comemorando - que esta é a 100ª resenha deste blog e agradeço muito à Milena, pois não poderia existir livro melhor para resenhar nesta centésima vez. E você, o que está esperando para adicionar Mi maior na sua lista de livros para ler (e amar!)? 

Título: Mi maior
Autor(a): Milena Rodrigues
Editora: 7Letras
Número de páginas: 96
Nota: 5/5
domingo, abril 16, 2017 No pessoas devoraram
Os romances históricos unem duas paixões minhas: o romance e a História. Apesar de ser apaixonada pelo gênero, envergonhadamente admito que os únicos que li se passavam em terras britânicas. Com todo aquele ar pomposo da famosa Terra da Rainha, era difícil não me ver entretida e suspirando por todos os duques com sobrenomes diferentes. Até que chegou as minhas mãos um dos últimos livros publicados por Marina Carvalho - uma de minhas escritoras favoritas -, O amor nos tempos do ouro, e então fui transportada para o Brasil colônia, para ler sobre a minha própria história. 
Cécile Lavigne perdeu todos os que amava e agora está sozinha no mundo. Ela, uma franco-portuguesa que ainda não completou vinte anos, está sendo trazida para o Brasil pelo único parente que lhe restou, o ambicioso tio Euzébio, para casar-se com o mais poderoso dono de terras de Minas Gerais, homem por quem Cécile sente profundo desprezo. Após desembarcar no Rio de Janeiro, Cécile ainda precisará fazer mais uma difícil viagem. O trajeto até Minas Gerais lhe reserva provações e surpresas que ela jamais imaginara. O explorador Fernão, contratado por seu futuro marido para guiá-la na jornada, despertará nela sentimentos contraditórios de repulsa e de desejo. Antes de enfim consolidar o temido casamento, Cécile descobrirá todos os encantos e perigos que existem nessa nova terra, assim como os que habitam o coração de todos nós. 
Brasil colônia não é o meu período preferido da História de nosso país. Talvez, um livro cujo cenário fosse qualquer outro a partir de 1808 teria me interessado mais. A questão é: mineração nunca foi meu forte. Apesar disso, O amor nos tempos do ouro conseguiu realizar um quase milagre: me fazer gostar desse período histórico. A narrativa leve e fiel à História fez com que eu a visse diante de meus olhos e não em uma simples sequência de fatos como nos livros escolares. Esse romance histórico foi recentemente adotado como leitura obrigatória em algumas escolas do país e eu entendo o motivo. É possível aprender com ele, de forma fácil e divertida.

Dito isso, passemos para a história em si. Marina Carvalho tem uma escrita particular. Posso pegar um livro qualquer na estante, sem olhar o autor, e só pela escrita, saberei que se trata de um de seus livros. É uma característica tão particular e simultaneamente tão presente em todos os seus livros, que chega ser difícil de descrever com clareza. Isso é algo bom, único, talvez raro.

A narrativa de O amor nos tempos do ouro é gostosa, flui maravilhosamente bem, sem apressar os acontecimentos. O modo com que a história é contada ao leitor colabora para que isso aconteça. Ora temos a honra de ler partes do diário de Cécile e conhecer um pouco mais de seus sentimentos, ora temos o privilégio de ler cartas de Fernão. Isso, é claro, sem se esquecer dos momentos, em sua grande maioria, em que o narrador em terceira pessoa traz o leitor para si e o redemoinho de acontecimentos. Outro ponto positivo que torna a leitura ainda mais prazerosa são os poemas a cada início de capítulo, muito bem escolhidos para se mesclarem e darem uma pequena prévia do que está por vir. Alguns poemas já eram conhecidos meus das maravilhosas aulas de Literatura que tive, enquanto outros eram novos e me deixaram encantada. De Fernando Pessoa à Castro Alves.

Cécile Lavigne é uma personagem forte e com ideias à frente da maioria das mulheres da colônia. Ainda sim, é possível sentir uma certa imaturidade por parte da principal ao início do livro. Um tom malcriado, adolescente. Tais atitudes nos permitem reconhecer seu progresso ao decorrer da história. Fernão é outro que muda conforme os capítulos vão se passando. De uma natureza fria e impassível, vamos, aos poucos, conhecendo um pouco mais de seu lado doce. Os personagens secundários não ficam atrás e carregam tanta história em sua construção e diálogos quanto os principais. Impossível não simpatizar com eles - mas deixemo-os para uma resenha futura, quando o livro dedicado exclusivamente a esses personagens for lançado.

A autora realmente se prontificou a manter a História viva. É justamente isso que torna esse livro sensacional. São inúmeros os momentos durante a leitura em que os ensinamentos saem das páginas para ganhar espaço no mundo do leitor. O amor nos tempos de ouro é um romance histórico que está muito longe de ser raso e que não mede esforços para mostrar como certas formas de pensar perseguem e permanecem vivas em nossa sociedade. Apesar disso, ainda encontramos um romance meigo de caráter jovial para balancear. Uma chance do leitor se desapegar dos duques ingleses de sobrenomes esquisitos e aproveitar um pouco do que, de fato, é seu.

Título: O amor nos tempos do ouro
Autor(a): Marina Carvalho
Editora: GloboAlt
Número de páginas: 328
Nota: 5/5
segunda-feira, fevereiro 20, 2017 2 pessoas devoraram
Eu gostaria de começar essa resenha dizendo que não, eu não li Por Lugares Incríveis - outro livro de grande sucesso de Jennifer Niven. Embora eu tenha muita vontade de lê-lo devido aos inúmeros comentários positivos, decidi começar por seu último lançamento, Juntando os pedaços e não me arrependo. Comecei a leitura sem expectativas de encontrar uma história melhor ou igual à Por Lugares Incríveis - coisa que vi muitos fazerem -, mas também esperando algo bom vindo de uma autora conceituada. 
Jack tem prosopagnosia, uma doença que o impede de reconhecer o rosto das pessoas. Quando ele olha para alguém, vê os olhos, o nariz, a boca... Mas não consegue juntar as peças do quebra-cabeça para gravar na memória. Então ele usa marcas identificadoras, como o cabelo, a cor da pele, o jeito de andar e de se vestir, para distinguir os amigos e familiares. Mas ninguém sabe disso - até o dia em que ele encontra Libby. Libby é nova na escola. Ela passou os últimos anos em casa, juntando os pedaços do seu coração depois da morte de sua mãe. A garota finalmente se sente pronta para voltar à vida normal, mas logo nos primeiros dias de aula é alvo de uma brincadeira cruel por causa de seu peso e vai parar na diretoria junto com Jack. Aos poucos essa dupla improvável se aproxima e, juntos, eles aprendem a enxergar um ao outro como ninguém antes tinha feito.
Vamos começar pelos personagens. Não tem outro jeito de começar essa resenha senão pelos personagens. É comum ler sobre garotos populares que estão no Ensino Médio, mas quantos tem prosopagnosia? Aliás, quantos de nós, leitores, já conhecíamos a doença antes de ler o livro? Niven criou um personagem incrível com problemas que vão muito além dos típicos da adolescência, apresentando a dura realidade dos diagnosticados com prosopagnosia e se preocupando em explicar tudo ao leitor até não restar duvidas. Libby não fica atrás - embora alguns capítulos narrados por ela tenham me irritado. Com Libby, a autora traz à tona inúmeras questões relacionadas a obesidade e o tratamento que jovens recebem por conta de seus pesos, especialmente no espaço escolar. 

Juntando os pedaços é de uma narrativa fluída e fácil de acompanhar, mesclando os capítulos entre as narrações de Libby e Jack. A opção pela narrativa em primeira pessoa foi, sem sombra de duvidas, a melhor. O leitor poderá adentrar os pensamentos de casal, ambos muito bem construídos, conhecer suas aflições e arrependimentos. O foco em Jack e Libby certamente se fez necessário, mas acredito que muitos outros personagens secundários poderiam ter sido melhor trabalhados devido aos temas importantes que os mesmo trazem consigo. Apesar disso,  Jennifer Niven escreve de uma forma jovem que nos sentimos próximos de todos eles. 

É um livro tranquilo? É. Apesar de parecer longo com suas quase 400 páginas, Juntando os pedaços é um livro difícil de largar que, com tempo sobrando, dá para ler rapidinho - digo, devorar (eu li em menos de três dias!). Embora eu esteja um pouco cansada de temáticas escolares, gostei muito de como a autora retratou o ambiente escolar. Não somente essa questão, como todas as outras. Nas entrelinhas, podemos enxergar o trabalho de manter cada problemática e sentimento transmitido pelos personagens o mais real possível. 

Não é de uma trama simples, mas é um livro bom. Um Young-Adult capaz de satisfazer a maior parte de seus leitores com uma leitura envolvente e gostosa, mas preciso deixar claro que minha experiência com o livro não foi marcante - como muitos dizem ter sido com Por Lugares Incríveis. Recomendo a todos que estão em busca de Young-Adult inovador e envolvente para fechar essas férias! 

Título: Juntando os pedaços
Autor(a): Jennifer Niven
Editora: Seguinte
Número de páginas: 392
Nota: 4/5
segunda-feira, fevereiro 06, 2017 6 pessoas devoraram
Aproveitando o momento ótimo para ler John Boyne, assim que terminei O menino no alto da montanha (leia a resenha aqui), comecei a leitura de O menino do pijama listrado, o grande sucesso do autor. Tendo já assistido ao filme, foi difícil não criar expectativas e esperar por uma história incrível e bem escrita. Sem surpresas, assim o foi. Com somente dois livros lidos, John Boyne já está na minha lista de escritores favoritos. 
Bruno tem nove anos e não sabe nada sobre o Holocausto e a Solução Final contra os judeus. Também não faz ideia que seu país está em guerra com boa parte da Europa, e muito menos que sua família está envolvida no conflito. Na verdade, Bruno sabe apenas que foi obrigado a abandonar a espaçosa casa em que vivia em Berlim e a mudar-se para um região desolada, onde ele não tem ninguém para brincar nem nada para fazer. Da janela do quarto, Bruno pode ver uma cerca, e para além dela centenas de pessoas de pijama, que sempre o deixam com frio na barriga.
Em uma de suas andanças, Bruno conhece Shmuel, um garoto do outro lado da cerca que curiosamente nasceu no mesmo que dia que ele. Conforme a amizade dos dois intensifica, Bruno vai aos poucos tentando elucidar o mistério que ronda as atividades de seu pai. 
Quando falamos de O menino do pijama listrado, existe um ponto que precisa ser abordado e que se faz presente durante toda a narrativa: a inocência. Embora o livro seja narrado em terceira pessoa, o narrador é onisciente e deixa o leitor a par de tudo o que se passa na cabeça do pequeno Bruno. A delicadeza com que o autor escreve sobre seus pensamentos e descobertas é de uma esperteza inegável, tornando o livro mais incrível do que a história já é. Além disso, como já é de se esperar devido a diferença das artes, essa inocência não foi tão representada no filme e sim, subentendida.

John Boyne não perde tempo dando voltas, vai direto ao ponto. Não explica fatos históricos se Bruno os desconhece, retrata tudo como se estivéssemos na mente da criança. E, venhamos e convenhamos, um menino de nove anos não está interessado em história ou política e sim, nas formas de explorar a nova casa e fazer novos amigos. É nisso que Boyne foca - olha a inocência novamente aí. 
"Não dói tanto assim", disse Pavel numa voz gentil e delicada. "Não torne as coisas piores, pensando que dói mais do que você realmente está sentindo". 
Por esse motivo, podemos dizer que é um livro leve no limite que um assunto sério como esses permite ser. Afinal, o leitor provavelmente estará ciente de todas as atrocidades ocorridas no período e as encontrará nas entrelinhas, e não descritas nua e cruamente. Trata-se de uma história emocionante, de fato. Boa parte disso se deve a linda e pura amizade entre Bruno e Shmuel, dois meninos solitários que coincidentemente fazem aniversário no mesmo dia. É impossível não sentir vontade de abraçá-los e acalentá-los. Seus diálogos são uma das melhores partes do livro. Assim como Bruno, eu também ansiava por seu próximo encontro com Shmuel só para ler suas conversas. 

Outro ponto que vale a pena ser tratado aqui é a diferença entre o final do filme e do livro. É claro que a diferença não é gritante, mas existe. O final do filme tem um ar mais impactante, mais cinematográfico, enquanto no livro, temos um final mais lento, em que os acontecimentos não ocorrem da mesma forma que no filme, combinando mais com a arte que é a literatura. Qual final é melhor fica nas mãos do leitor e telespectador. 

O menino do pijama listrado é um livro curto e envolvente que devia ser lido por todos. Uma vez ou outra precisamos ler livros como esse, manter a história viva em nossa memória para impedirmos que atrocidades como essa não ocorram nunca mais. 

Título: O menino do pijama listrado
Autor(a): John Boyne
Editora: Seguinte
Número de páginas: 190
Nota: 5/5
quinta-feira, janeiro 26, 2017 No pessoas devoraram
Imagine alguém que adora um autor sem nunca antes tê-lo lido. Esse alguém sou - na verdade, era - eu com o John Boyne. Seus livros sempre me remeteram a assuntos pelo quais tenho muito interesse - História, por exemplo - e a habilidade do autor de retratar temáticas profundas a partir da visão de uma criança, já servia de anúncio de que, para mim, não haveria outra opção senão me ver entregue as suas histórias. A boa notícia é de que eu estava certíssima. O menino no alto da montanha, primeiro livro que leio do autor, retomou o meu ato mais intrínseco: o de devorar livros. 
Pierrot não sabe nada sobre os nazistas quando vai morar com sua tia em uma misteriosa casa no topo de uma montanha. Mas essa não é uma casa comum e o período tampouco é. Estamos em 1935 e esse é o Berghof. Protegido pelas asas de Hitler, Pierrot acaba preso em um novo e perigoso mundo repleto de poder, segredos e lealdade - e ele deve escolher de que lado está. 
Segunda Guerra Mundial é um tema que apetece muita gente. Agora, um romance em que um menino de sete anos é levado a viver na mesma casa que um dos maiores ditadores da história? Isso é de deixar qualquer curioso de cabelo em pé. Impossível não criar altas expectativas para uma trama tão carregada de originalidade. John Boyne não decepciona e leva o leitor a um mundo em que o poder é a maior arma a partir de uma narrativa bastante simples, porém envolvente. 

O ponto forte de O menino no alto da montanha é mostrar os bastidores da guerra. É interessantíssimo como Pierrot vai aos poucos entendendo-a, tendo de renunciar ao seu nome francês pela variante alemã Pieter e assim por diante. Todos os elementos trágicos que representaram a maior guerra que o mundo já presenciou são colocados com muita delicadeza, caminhando lado a lado ao crescimento e desenvolvimento de Pierrot e seus anos no Berghof. 

De forma implícita, o autor trabalha a questão da consciência sobre nossos atos. A partir de que momento Pierrot começou a ter noção da extensão de seus atos? A linha tênue que separa as duas facetas do personagem se confundem e o leitor se vê em uma armadilha: como lidar com suas atitudes? A mudança na personalidade de Pierrot, devido ao ambiente em que estava inserido, era esperada e traz consigo uma carga de realidade a história. O menino que chegou ao Berghof com sete anos tinha muitos problemas em mente e o que saiu, anos depois, de lá, também. Isso não significa que devemos inocentá-lo - afinal, nem o mesmo o faz -, mas o leitor precisa compreender o mundo em que Pierrot cresceu, especialmente sob as asas de quem.

Dito isso, fica claro que o autor se preocupou em representar com fidelidade a personalidade de Hitler e esse é outro fator que gostei muito. Boyne trabalhou bem sua relação com Pierrot e na influência exercida pelo mesmo. Toda essa preocupação com os reais acontecimentos só esforça o quão bom escritor John Boyne é.

O menino no alto da montanha é um livro tão envolvente que o leitor se verá devorando página por página, entregue ao mundo de intrigas de Pierrot. Um livro mais do que recomendado a todos os fãs do autor e aos interessados em Segunda Guerra Mundial. 

Título: O menino no alto da montanha
Autor(a): John Boyne
Editora: Seguinte
Número de páginas: 225
Nota: 5/5

Como vocês podem ver na foto, a minha edição não é brasileira. Está em inglês e foi publicada pela editora Doubleday. 
domingo, janeiro 22, 2017 No pessoas devoraram
Ensaio sobre a cegueira, do premiado escritor português José Saramago, é uma leitura que eu vinha planejando há algum tempo. Inúmeras pessoas já haviam me recomendado este livro, sempre seguido da frase: esse livro é incrível. Por isso, coloquei na minha cabeça que precisava lê-lo logo e após ganhá-lo de presente no Natal, tratei de fazer dele minha primeira leitura de 2017. Não poderia ter escolhido livro melhor para começar meu ano e explicarei o motivo. 
Um motorista parado no sinal se descobre subitamente cego. É o primeiro caso de uma "treva branca" que logo se espalha incontrolavelmente. Resguardado em quarentena, os cegos se perceberão reduzidos à essência humana, numa verdadeira viagem às trevas. O Ensaio sobre a cegueira é a fantasia de um autor que nos faz lembrar "a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam". 
Para começar, o que mais me chamou a atenção nesse livro assim que comecei minha leitura foi a linguagem. A edição da Companhia das Letras, mostrada na foto acima, manteve a grafia vigente em Portugal e isso foi algo que, inicialmente, estranhei muito. Não falo no sentido negativo, pelo contrário, procuro enfatizar a experiência incrível de ler algo com a grafia portuguesa. Em inúmeros momentos parei a leitura, li determinado trecho em voz alta procurando entendê-lo, procurava o significado de palavras que desconhecia ou com uso diferente do nosso, etc. A opção de manter a grafia original deu ao livro outro ar e eu me peguei pensando como o português é, de fato, um idioma lindo e rico em todas as suas variantes.

Passando para a história em si, nunca havia lido algo parecido e duvido que algum dia irei. De uma narrativa extremamente envolvente, o leitor se verá entregue à tragédia da epidemia da cegueira, teorizando sobre o surgimento da mesma e suas possibilidades de cura. O mesmo se encontrará pensando se faria o mesmo que os personagens ou tomando as mesmas decisões que o governo. Os personagens não recebem nomes, sendo chamados pelo narrador como a mulher do médico, o médico, a mulher dos óculos escuros, o menino estrábico, etc. A ausência de nomes próprios não é por acaso e nem devemos pensar nela como tal. O porquê é dever do leitor descobrir. Se tratando de José Saramago, devemos sempre questionar e não simplesmente aceitar. 
Dentro de nós há um coisa que não tem nome,  essa coisa é o que somos. 
O autor não mede escrúpulos para tratar da natureza humana. Não busca tratá-la com delicadeza - ou até mesmo idealizá-la -, mas mostra sua verdade nua e crua. Algumas partes são tão cruas, tão ausentes de ficção e repletas de realidade, que, como leitora, meu sentimentalismo foi posto à prova e me senti extremamente mal lendo-as. No entanto, isso não desclassifica a história, pelo contrário, só mostra o quão honesto o autor foi ao retratar a essência humana. Diante disso, não devemos sentir muito pelo livro, mas por nós mesmos. 

A questão humana se faz presente a todo momento, afinal, é o centro de onde gravitam todas as questões propostas pela história. Ouso dizer que é a natureza humana a verdadeira protagonista. À ela, a cegueira se alinha, construindo uma das metáforas mais sensacionais da literatura. Repito que, tratando-se de Saramago, o leitor tem de estar sempre disposto a questionar afim de reconhecer suas verdadeiras intenções por trás de determinado acontecimento. 

Ler Samarago é uma experiência rica a que todos deveriam se submeter um dia. Não tenham duvidas que outras obras do autor entraram rapidamente para minhas metas de leitura - espero conseguir lê-las ainda esse ano. Ensaio sobre a cegueira é um livro que tem tanto a oferecer ao seu leitor que merece ser degustado com todo cuidado, toda a atenção possível. Faltam-me palavras para fazer jus à essa obra. Esplêndido e espetacular são adjetivos que se aproximam de sua grandeza. E assim, eu me junto à parcela da população que diz: você precisa ler esse livro. 

Titulo: Ensaio sobre a cegueira
Autor(a): José Saramago
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 310
Nota: 5/5
sábado, janeiro 14, 2017 4 pessoas devoraram
Em novembro do ano passado, tive o imenso prazer de receber de presente - e ainda por cima, autografado - o livro Roma Para Sempre, de Sayonara Salvioli, segundo volume da coleção Amores Proibidos. Pois, imaginem então minha surpresa ao descobrir que se tratava de um daqueles livros que nos faz viajar! Uma parte de mim já tinha certeza de que ia gostar da leitura e a outra parte se viu ansiosa por estar lendo uma autora nacional. 
Aeroporto de Madri-Barajas, novembro de 2015. Uma semana após os ataques de Paris, a estilista italiana Paola Romanatto é testemunha de uma explosão na pista de voo. Tempos depois, ela recebe a proposta de um sheik - dono de petroleira internacional e acionista forte da Bolsa de Nova York - de criar uma coleção para sua rede de shoppings. Paola parte para o Oriente Médio a fim de conhecer as bases do negócio, mas nem imagina a dimensão da viagem. Na terra das Mil e Uma Noites – encantada com um homem exótico e num lugar completamente diferente de seu mundo –, a protagonista se surpreende com o contraste do universo oriental: o mistério do deserto e o arrojo dos arranha-céus da capital dos Emirados Árabes! Até que ponto pode resistir um romance que já começa com o conflito da diferença? 
A primeira coisa que me chamou a atenção no livro foi a história. Eu sempre me perguntei o que poderia acontecer se duas pessoas de religiões tão diferentes se apaixonassem e Salvioli traz isso muito bem trabalhado em seu livro. Mais do que isso, a autora une questões e problemáticas da contemporaneidade e as adiciona a um romance intenso e envolvente. É incrível como assuntos polêmicos como intolerância religiosa e terrorismo foram tratados com cuidado e delicadeza, sempre procurando desconstruí-los e mostrando ao leitor um discurso que, por muitas vezes, é repetido inconscientemente.

Como disse anteriormente, amo livros que me fazem viajar, seja para lugares que realmente existem ou universos paralelos.  É aí que Roma Para Sempre inova. Embora contenha Roma em seu título - e inúmeras descrições maravilhosas da capital italiana -, Sayonara Salvioli nos leva para a região mais conflituosa e, quem sabe até mesmo indesejável aos olhares ocidentais, ao Oriente Médio, aos Emirados Árabes Unidos. É impossível não se sentir lá, tão maravilhado com a riqueza do país tanto quanto a própria personagem, Paola, que carrega os mesmos estereótipos que muitos.

Os personagens são outro ponto forte da história. É claro que devo dar um destaque a principal. Paola é uma mulher forte e extrovertida. O leitor simpatiza com ela facilmente, não é preciso nem chegar ao segundo capítulo para dizer o quanto é divertida e um pouquinho dramática.

Não se trata de só romance e nada mais. Pelo contrário, o livro está repleto de elementos culturais - de Aladdin à inúmeras referências de As Mil e Uma Noites - e não se detêm a informações históricas, mas as explana para o leitor e eu adoro isso. Essa sensação de que um livro não está somente me provendo o prazer da leitura, mas também um conhecimento inesperado. A linguagem do livro é rebuscada, beirando ao poético inúmeras vezes. Nada que torne a narrativa incompreensível, somente a embeleza mais.

Roma Para Sempre é um livro curto e esse é, para mim, o único ponto fraco. É incrível como a autora conseguiu escrever uma história tão intensa em pouco menos de duzentas páginas. No entanto, senti uma rapidez no desenrolar de determinados acontecimentos e acho que os mesmos poderiam ter sido mais aprofundados.

Sempre digo que é preciso ler mais autores nacionais. A coleção Amores Proibidos é uma ótima aposta para você que gosta de... Bem, amores proibidos! Roma Para Sempre te deixará encantado com todas as belezas e o mistério das Arábias.

Título: Roma Para Sempre
Autor(a): Sayonara Salvioli
Editora: Primavera Editorial
Número de páginas: 152
Nota: 4/5 
segunda-feira, janeiro 09, 2017 7 pessoas devoraram
Diferente de muitos, minha primeira experiência lendo Colleen Hoover não fez com que eu me apaixonasse pelo trabalho da autora. Porém, isso não me impediu de dar uma segunda chance aos seus livros. Quando Novembro, 9 foi lançado - seguido de um rebuliço já esperado, é claro -, li a sinopse, me interessei e sabia que era tudo ou nada: eu lia Hoover agora ou simplesmente deixava para lá. Como estou escrevendo esta resenha, fica óbvio que optei por ler. 
No dia de sua mudança de Los Angeles para Nova York, Fallon conhece Ben, um aspirante a escritor. A química instantânea entre os dois faz com que passem o dia inteiro juntos - a vida atribulada de Fallon se torna uma grande inspiração para o romance que Ben pretende escrever. A mudança de Fallon é inevitável, mas eles prometem se encontrar todo ano, sempre no mesmo dia. Até que Fallon começa a suspeitar que o conto de fadas do qual faz parte pode ser uma fabricação de Ben em nome do enredo perfeito. Será que o relacionamento de Ben com Fallon, e o livro que nasce dele, pode ser considerado uma história de amor mesmo se terminar em corações partidos? 
O início do livro é genial. De uma narrativa fluída e envolvente, foi impossível não me sentir tragada pela história, prometendo a mim mesma parar de ler ao final da página, mas seguindo para o próximo capítulo assim que a viro. A narração diverge, ora entre Fallon, ora entre Ben, mas não é isso que torna a primeira parte do livro - o primeiro 9 de Novembro - tão interessante. Os personagens realmente têm química. Seus diálogos são divertidos e simplesmente instigam o leitor a querer saber até onde tais diálogos os levarão, o que o destino reserva para os dois ou o que eles querem para si.

O livro segue dividido entre todos os 9 de Novembros vividos pelos dois. Eu achei que a autora fosse optar por relatar o ano de cada um separadamente, mas não foi isso o que aconteceu e esse é um ponto sensacional da história. Afinal, não é como Fallon ou Ben passaram o último ano que interessa, e sim, o que Fallon e Ben farão nas 24 horas do 9 de Novembro. E quanta coisa pode acontecer em somente 24 horas! De uma coisa o leitor pode ter certeza: cada ano será mais intenso do que outro. Isso acontece devido as tramas pessoais de cada personagem, os mau entendimentos oriundos disso e a diferença que um ano pode fazer na vida de alguém. 

Estava tudo indo muito bem, não torcer para o casal e ansiar pelos acontecimentos do próximo 9 de Novembro era missão impossível, até a revelação de um fato. A partir daí, tudo muda e o que antes era romance, dá lugar ao drama. Estes, quando balanceados, podem ser uma ótima combinação. No entanto, o drama acabou por se sobrepor ao romance. Por muitas vezes, achei dramático e forçado o rumo pelo qual a história estava sendo conduzida. É claro que reconheço que essa opinião é bem particular. Se você gosta de revelações bombásticas como as de capítulo final de novela, provavelmente irá gostar. 

Temos ter a oportunidade de ler um pouco do livro de Ben e, para minha decepção, era como estar lendo mais um capítulo narrado por ele. Embora o livro seja a concepção de Ben sobre os acontecimentos, eu esperava que houvesse, pelo menos, uma diferença na escrita. Não tem como o modo com que você pensa ser exatamente igual ao modo com que você escreve, tem? 

Novembro, 9 é um livro que recomendo aos fãs de Young Adult e que conseguiu me entreter muito bem. Não sei se pretendo ler outro livro de Colleen Hoover em breve, mas eu certamente preferiria ter conhecido seu trabalho através desse livro. Quer saber? Eu gostei. Essa ideia de "só vamos nos ver em 9 de Novembro do ano que vem" deixa qualquer pessoa curiosa louca. E bem, eu sou uma pessoa bastante curiosa. 

Título: Novembro, 9
Autor(a): Colleen Hoover
Editora: Galera Record
Número de páginas: 350
Nota: 4/5
sexta-feira, dezembro 16, 2016 No pessoas devoraram
Babi Dewet é uma autora nacional que já está na hora de você conhecer. Acompanho seu trabalho desde que teve seu primeiro livro lançado - leia a resenha de Sábado à noite clicando aqui - e sempre me senti muito envolvida por suas histórias e muito próxima, principalmente por eu também ter escrito fanfics há alguns anos. Ler Babi Dewet é ser levado pela música: a essência de seus livros. É por isso que hoje venho falar de mais um livro dessa autora, seu último lançamento: Sonata em Punk Rock, pela editora Gutenberg. 
Valentina Gontcharov é uma garota super talentosa e apaixonada por música - especialmente o punk rock -, que acaba de descobrir que seu pai é um violinista famoso e ex-aluno do maior conservatório de música do país. É quando Valentina tem a chance de realizar seu sonho: ser aceita na Academia Margareth Vilela. Em um ambiente sério, ela terá de mostrar que é muito mais do que puro punk rock, enfrentar garotos convencidos - principalmente um coreano chamado Kim - e abraçar a música clássica se quiser se dar bem. 
É muito difícil não se sentir tragado pela escrita de Babi Dewet, que é simples mas envolvente. A narrativa não esconde mistérios, é objetiva, clara para qualquer leitor. A autora surgiu no mundo das fanfics - histórias escritas por fãs de um determinado artistas - e seus livros ainda carregam características disso, tendo como exemplo a própria escrita. Embora eu goste muito de tudo o que a autora escreve, gostaria de ver um desenvolvimento maior em seu método de escrita, algo mais desafiador, que se desvincule da sensação de que estou lendo uma fanfic. 

A premissa do livro é muito interessante e enquanto lia, só conseguia pensar em como poderia se encaixar perfeitamente em uma série de tevê - dessas que assistimos no Netflix e viciamos rapidinho. A linha de acontecimentos é bem desenvolvida e o leitor chega até mesmo a perder noção de tempo. Porém, gostaria de que os capítulos finais prolongassem um pouco mais, pois a sensação que tive é que tudo aconteceu de forma rápida e poderia ter sido melhor explicado. 

O legal de ler os livros da Babi é que ela sempre procura incorporar seus gostos na história e isso, ao meu ver, é algo sensacional. Sempre colocamos mais paixão quando falamos daquilo que gostamos. É por isso que podemos encontrar inúmeras referências de cultura pop em seus livros e que são compatíveis com o gosto da autora. Não é por acaso que temos um personagem principal coreano que poderia muito bem ser uma estrela de k-pop.

Falando em personagens, todos são cheios de música e carismáticos. São personagens que nos deixam com vontade de ler mais e de tê-los como amigos. Aliás, isso não deixa de ser outro ponto interessante nas histórias da autora. Ela sempre procura dar valor aos laços de amizade e eu gosto muito quando escritores abordam isso em seus livros de forma espontânea.

Sonata em Punk Rock é um livro leve e gostoso, ideal para ser lido em períodos em que precisamos de algo simples, mas capaz de nos entreter. E claro, não deixe de ler com a playlist ligada.

Título: Sonata em Punk Rock
Autor(a): Babi Dewet
Editora: Gutenberg
Número de páginas: 300
Nota: 4/5
domingo, outubro 09, 2016 2 pessoas devoraram
Um provérbio chinês diz que "não importa o tamanho da montanha, ela não tapa o sol". Qual a ligação entre um provérbio chinês, que surgiu há sabe-se lá quantos anos atrás, e Silêncio, último livro de Richelle Mead lançado no Brasil? A resposta é: tudo. Por mais que não pareça, esse provérbio, que encontrei por acaso, define perfeitamente o livro. Continue lendo esta resenha que você irá descobrir o motivo!
Fei vive em um pequeno povoado no alto de montanha, que perdeu a audição há anos, sem acesso a terras férteis e dependente da parceria com o povoado ao pé da montanha para sobreviver - um sistema de cabos transporta comida em troca de minério. Fei é uma artista nata e a mais promissora para suceder o seu mestre. Mas quando sua irmã, assim como outros aldeãos, começa a perder a visão, ela se vê obrigada a tomar uma atitude: desrespeitar as leis. Ao lado de seu melhor amigo de infância e com um novo aliado - o som -, Fei inicia uma nova jornada. 
O que me chamou a atenção nesse livro foi a capa. Nesse caso, o ditado "não julgue um livro pela capa" não funcionou - estou cheia de ditados e provérbios nesse post. A capa carrega todo um ar asiático que se mantém, a todo momento, presente na história. Os personagens têm nomes chineses, leem ideogramas e as paisagens retratadas lembram facilmente o verde da China. De fato, é como estar lendo um folclore chinês. Apaixonada por Ásia como sou, é claro que isso foi um fator que fez com que eu gostasse mais ainda do livro.

A narrativa é leve e envolvente. Não há falas com travessões e Richelle Mead inova ao introduzir uma personagem principal, assim como a maior parte do corpo de personagens, surda e ainda por cima, narradora. Os personagens se comunicam entre si através da linguagem de sinais e no livro, tais conversas são representadas em itálico. A descrição do som e do que seria o mundo através dos surdos é incríveis, além de significar uma enorme representatividade - principalmente quando estamos falando de um livro voltado para o público jovem.

É claro que um pouco de romance nunca pode faltar. A relação entre Fei e Li Xei é bem meiga e obviamente, outro elemento capaz de deixar o leitor envolvido na história. No entanto, não é o romance que dita os acontecimentos e isso foi o que eu mais gostei, embora estivesse torcendo pelo casal desde o início. A autora optou por não trabalhar muito os outros personagens e embora eu ache que isso é sempre muito bem vindo - e por vezes, necessário -, em Silêncio, isso não fez falta. Pelo contrário, a autora investiu na ação, tornando a leitura mais rápida e fluída.

Minha única experiência com a escrita de Richelle Mead havia sido com o primeiro livro de sua série, Academia de Vampiros (você pode ler a resenha clicando aqui). Silêncio me surpreendeu muito mais e levou a escrita de Mead a outro nível. A história é mais interessante e envolvente. Silêncio era justamente o que eu estava precisando ler: algo leve e que me transportasse para outro mundo.

Você deve estar se perguntando o que o provérbio mencionado no início desta resenha tem a ver com o livro. Pois bem, Fei vive em uma montanha muito alta (check!). Por mais alta que seja essa montanha, ela não deixa de enfrentar uma jornada árdua em busca do que é melhor para o seu povo, em busca da luz, a caminho do sol.
Título: Silêncio
Autor(a): Richelle Mead
Editora: Galera Record
Número de páginas: 280
Nota: 5/5 
domingo, setembro 11, 2016 2 pessoas devoraram
Eu sou o tipo de pessoa que gosta de prestar atenção aos detalhes, as possíveis histórias, não importa onde eu esteja. Atribuída deste mesmo pensamento, Giovanna Olivetti escreveu seu primeiro livro, Desencontros, em que cada crônica é um fragmento do cotidiano - como é dito no prefácio. 
Este livro te lembrará dos momentos mais simples do seu dia a dia: a ida para o trabalho, o metrô lotado... E fará com que você perceba que talvez as melhores histórias estejam ali ao seu lado, que todos somos escritores em nossas observações cotidianas e em cada observação procuramos a saída do nosso labirinto, que é cercado de jogos que nós mesmos criamos... Mas, espera, sair por que mesmo?
Desencontros é o tipo de livro que se lê de uma vez só. Não por ser curto, mas por parecer que cada crônica é o complemento da anterior, como se todos os acontecimentos do livro se passassem no mesmo dia - o que é bem possível, já que no período de 24 horas temos um número imprevisível de histórias a serem descobertas, incontáveis desencontros. Li o livro em uma noite e fiquei surpresa quando percebi que o mesmo havia me despertado tamanha inspiração para escrever que só me contentei quando peguei meu laptop para escrever. 

A escrita de Giovanna é simples, mas do que isso, é natural. O leitor se sentirá facilmente tentado a continuar lendo devido a uma narrativa convidativa. Com um grande número de crônicas se passando em São Paulo, o leitor se sentirá caminhando pelo cotidiano da cidade através da palavras da autora. Mas não se engane! Os acontecimentos poderiam tomar lugar em qualquer outra cidade, país, que o resultado ainda seria o mesmo e essa é a graça. 
Sorri e continuei meu caminho, permitindo o homem a sentir seus versos cheios de magnificência e estórias a serem contadas. Quem sabe um dia eu conseguisse chegar ali, subir no vagão e ter minha liberdade, pensando além e acima de tudo, vivendo, ao invés de estar trancada em uma sala preferindo apenas sobreviver? Talvez a louca ali fosse eu, que agora corria para minha reunião. 
Já mencionei aqui no blog que adoro livros que tratem do cotidiano e procurem extrair ao máximo toda a beleza e poesia que o mesmo pode proporcionar. É por isso que Desencontros não decepciona e você deseja que o livro fosse só um pouquinho mais longo para poder se deliciar por mais tempo. 

Além de escritora, Giovanna Olivetti também é fotógrafa, o que justifica a facilidade em capturar fragmentos do dia a dia e transformá-los em crônicas. 
Talvez fôssemos apenas livros tentando ser descobertos, um livro cheio de contos; talvez todos fôssemos escritores frustrados como eu, tentando apenas observar um pouco mais e não ser mais um livro numa estante como tantos, tentando apenas ser um best-seller. 
Desencontros é um livro que merece ser lido em uma tarde de chuva ou em um dia de sol, que te fará se sentir aquecido e acima de tudo, encontrado.


Título: Desencontros
Autor(a): Giovanna Olivetti
Número de páginas: 71
Editora: Talentos da Literatura Brasileira
Nota: 4/5
Livro cedido para resenha em parceria com a autora.
sábado, janeiro 16, 2016 4 pessoas devoraram
No ano passado, assisti a versão cinematográfica de Simplesmente acontece e fiz um post comentando as minhas impressões do filme. Se não me engano, cheguei até mesmo a dizer que gostaria de ler o livro. Eis que chegou a hora. O livro estava na minha estante desde a Bienal do Rio - que ocorreu em Setembro - e, assim como muitos outros, estava esperando pelas férias para finalmente começar a ler. Quando peguei Simplesmente acontece para ler, não tinha certeza se era esse o gênero que estava afim para a primeira leitura do ano, mas que bom que li! 
Desde crianças, Rosie e Alex viviam juntos. De repente, foram separados porque a família de Alex deixou Dublin para morar nos Estados Unidos. A mágica conexão entre os dois amigos permanece, mas será que a amizade conseguirá sobreviver a uma distância tão grande? Os desencontros, as circunstâncias e uma absurda falta de sorte os mantiveram longe um do outro - até agora. Resta saber se eles vão ter coragem de apostar tudo, inclusive a própria amizade que os une, num amor para a vida inteira. Que tipo de surpresa o destino reserva para eles desta vez?
O que mais surpreende em Simplesmente acontece é a forma com que é contada. Cecelia inova e esbanja seu talento ao escrever um livro inteiro em chats, e-mails, SMS, cartas, cartões postais, etc. Ao início da leitura, é normal estranhar e sentir falta de um narrador, mas logo o leitor se acostuma com o ritmo da história. Senti como se estivesse com uma caixa de recordações na mão - a caixa de Rosie e Alex -, lendo seus prints e as cartas guardadas. E eu adorei isso! 

O destaque que Rosie recebe na história é inegável. Em muitos momentos, ela e Alex são verdadeiros opostos. Achei muito interessante ver as coisas de "seu ângulo" - e neste livro isso significa ler suas cartas, suas conversas, etc - devido a tudo o que a personagem enfrentou. Rosie é uma personagem realista, um retrato de muitas mulheres batalhadoras que perambulam por aí e cuja história desconhecemos. 
Tudo está girando ao nosso redor - o emprego, a família, os amigos, o parceiro ou parceira... Tudo o que você sente é aquela vontade de gritar: "PARE!", olhar à sua volta, reorganizar a ordem de algumas coisas e aí seguir adiante. Acho que você provavelmente entende o que estou dizendo. 
Simplesmente acontece está muito, mas muito longe de ser o romance adolescente que aparenta. Acompanhamos o casal de amigos por mais de quarenta anos e testemunhamos seu amadurecimento, suas expectativas, erros e tudo o que deixavam para trás. A sensação é de estar ao lado deles, acompanhando cada passo dado. 

Nunca tinha lido ou prestado atenção no trabalho de Cecelia Ahern. É claro que conheço sua obra mais famosa, P.S. Eu te amo, mas nunca havia me interessado. Agora que terminei Simplesmente acontece, o pensamento já é outro. Quero ler mais da autora, tudo indica que irei gostar bastante. 
Em todo caso, minha questão é o seguinte (sim, sim, eu sei, tem uma questão): não quero ser uma dessas pessoas de quem as pessoas se esquecem com facilidade, que era tão importante naquela época, tão especial, tão influente e tão querida e, mesmo assim, anos depois se torna apenas mais um rostinho vago e uma lembrança distante. Quero que sejamos amigos para sempre, Alex. 
A adaptação cinematográfica difere muito do livro em inúmeros fatores, o que significa que não entra para a lista dos filmes mais fiéis ao livro. No entanto, isso é justificável. Trata-se de uma história realmente longa que nem mesmo o livro aborda tudo - volta e meia, a história pula uns dois, três anos. Deixarei o link do trailer ao final do post para quem ainda não assistiu ter a chance de dar aquela checada! 

Para a primeira leitura do ano, Simplesmente acontece veio para me surpreender. Uma história encantadora para uma amizade mais encantadora ainda!
Título: Simplesmente acontece
Autor(a): Cecelia Ahern
Número de páginas: 448
Editora: Novo Conceito
Nota: 5/5
sábado, janeiro 09, 2016 2 pessoas devoraram
Eu gostaria muito de fazer um post separado para cada livro, mas devido a motivos pessoais, me vi obrigada a fazer uma resenha quádrupla. Mas Rebecca!, por quê? Eu estava viajando e li os quatro livros mencionados durante a véspera ou na própria viagem, e é claro que fiquei internet nesse período. Portanto, não tive outra opção. Sinto muito pela qualidade das resenhas a seguir, tentarei ser um pouco mais organizada. 

DESAPARECIDAS - LAUREN OLIVER
Em 2013, li o meu primeiro livro da Lauren Oliver e resenhei aqui no blog - uma das postagens mais populares, por sinal. Apesar de tal livro não ter sido tudo que eu esperava, decidi dar mais uma chance a autora através de seu último lançamento, Desaparecidas. Durante a leitura, eu desapareci das redes sociais, literalmente, pois não conseguia parar de ler. Assino embaixo quando dizem que Lauren Oliver está em sua melhor forma, pois, de fato, está. Desaparecidas é um thriller psicológico que não se assemelha em nada com outros livros do gênero. 
As irmãs Dara e Nick eram inseparáveis, mas isso foi antes - antes de Dara beijar Parker, antes de Nick perdê-lo como melhor amigo, antes do acidente que deixou cicatrizes no belo rosto de Dara. Agora as duas, que eram tão próximas, não estão mais se falando. Em um instante Nick perdeu tudo, e está determinada a usar o verão para conseguir sua vida de volta. Só que Dara tem outros planos. Quando ela desaparece, no dia de seu aniversário, Nick acha que a irmã está se divertindo por aí. Mas outra garota também sumiu - Madeline Snow, de nove anos - e, conforme Nick procura pela irmã, fica cada vez mais convencida de que os dois desaparecimentos podem estar conectados. 
O livro é narrado de múltiplas formas - do ponto de vista de Dara, Nick, passado, presente, postagens em sites de notícias, etc. Isso possibilita ao leitor uma visão mais ampla da história e a facilidade com que a autora conseguiu manter tudo conectado - como, por exemplo, as ligações entre as recordações das irmãs e o presente - é incrível. Além disso, a narrativa não se perde na monotonia, o leitor que se prepare para a montanha russa de emoções. 

Dara e Nick são dois opostos. E Dara é o oposto que eu, particularmente, desgosto. É uma personagem difícil de lidar e facilmente julgável, mas apesar dos pesares, Lauren Oliver trabalhou a personagem de forma única e delicada, como sua situação exige. 

Desaparecidas te deixará boquiaberto! Trata-se de um livro espetacular e que entrou fácil-fácil na lista das melhores leituras de 2015, fechando o ano com chave de ouro. Que Lauren Oliver continue escrevendo livros assim, por favor! 

INFINITO + UM - AMY HARMON
Foi impossível não me sentir seduzida por essa capa, com todo esse ar de country music e romance. E eu estava certa: tem country e muito romance nesse livro. Amy Harmon é um nome que foi muito comentado no último ano e até tenho um livro da autora na minha estante, mas não tive tempo de ler. Comecei a leitura cheia de expectativas, mas, infelizmente, Infinito + um me decepcionou um pouco. 
Bonnie Rae Shelby é uma estrela da música. Ela é rica, linda e incrivelmente famosa. E quer morrer. Finn Clyde é um zé-ninguém. Ele é sensível, brilhante e absurdamente cínico. E tudo o que ele quer é uma chance na vida. Estranhas circunstâncias juntam o garoto que quer esquecer o passado e a garota que não consegue enfrentar o futuro. Tendo o mundo contra eles, esses dois jovens, tão diferentes um do outro, embarcam numa viagem alucinante que não só vai mudar a vida de ambos, como pode até lhes custar a vida. 
Infinito + um conta com uma boa temática, no entanto, meu maior problema com a história é o modo com que a mesma foi conduzida e seus personagens. Bonnie e Finn é um casal óbvio - não que isso me incomode, claro -, mas que não me convenceu. É estranho falar em convencimento quando não estamos vendo-os, como em um filme, mas seus momentos mais românticos não despertaram nenhuma reação em mim. Como ambos são personagens de temperamento forte, a autora poderia ter balanceado a narrativa, desenvolvendo-a com maior leveza. Porém, me deparei com uma narrativa por vezes dramática e forçada, que não estimulava o leitor a prosseguir. 

Finn é um admirador da matemática e inúmeras vezes a utiliza de forma metafórica. Ao meu ver, essas foram as melhores partes do livro. Não sou boa em matemática, mas a forma com que a autora a transformou em uma ponte entre equações complicadas e a jornada de seus personagens deixou tudo mais interessante. Certas explicações, com as quais me deparei no colégio, só fizeram sentido quando li esse livro. 

Infinito + um é um livro que tinha muito a oferecer, mas que se perdeu no decorrer dos acontecimentos. Apesar disso, entretém. Recomendo a todos que gostaram de Beleza Perdida, livro de Amy Harmon que foi lançado há algum tempo atrás. 

SANGUE NA NEVE - JO NESBO
Adoro conhecer a literatura de outros países, é ótimo para saciar minha curiosidade. Jo Nesbo é norueguês e escritor best-seller. Pronto, isso foi suficiente para me deixar com vontade de ler. O fato de se tratar de um thriller policial só me deixou ainda mais curiosa!
Olav tem apenas um talento: matar pessoas a sangue frio. Não há nada que ele preze mais que ter o poder sobre a vida e a morte. Porém, sua natureza sensível é proporcional às suas habilidades como matador de aluguel. Uma vez tentou roubar bancos, mas não deu certo - ele se sentiu tão culpado que foi visitar uma das vítimas no hospital. Ele leva ma vida solitária em Oslo até se ver envolvido em um trabalho importante para um dos mais perigosos chefes do crime organizado na cidade, Daniel Hoffman. Ao aceitá-lo, Olav finalmente conhecer a mulher da sua vida, mas logo se depara com dois problemas. O problema é que ela é a esposa do chefe. E o segundo é que ele foi contratado para matá-la. 
O que mais me surpreendeu em Sangue na neve não foram as reviravoltas capazes de deixar qualquer leitor louco, mas a escrita de Jo Nesbo. O autor, de forma simplista e envolvente, desenvolveu muitíssimo bem um thriller policial e ainda mais, em poucas páginas, sem enrolações e indo direto ao ponto. Nesbo faz parecer fácil escrever e isso só mostra o quão talentoso é. 

O mistério em si deixa a desejar, um tanto quanto fraco demais. Particularmente, prefiro romances policiais que fazem o leitor quebrar a cabeça. No entanto, como disse anteriormente, trata-se de um livro envolvente. Então, apesar de não atender as minhas expectativas, Sangue na neve merece a leitura, que certamente não durá mais de um dia - são somente 154 páginas!

O APRENDIZ - TARAN MATHARU
Um livro de fantasia sempre cai bem nas férias. O aprendiz, primeiro livro da série Conjurador, foi a minha aposta. 
Fletcher é um órfão de 15 anos e, para sua surpresa, conseguiu invocar um demônio do quinto nível. O problema é que apenas os nobres deveriam ser capazes de conjurar criaturas e usá-las na guerra contra os orcs. Mas plebeus como Fletcher também podem ser conjuradores, e o garoto consegue uma vaga na Academia Vocans, uma escola de magos que prepara seus alunos para os campos de batalha. Lá, ele irá enfrentar o bullying dos nobres, mas também aprenderá feitiços e fará amigos incomuns, vomo anões e elfos. Além de se provar digno de uma boa patente na guerra, Fletcher e seu grupo de segregados precisam se unir e vencer o preconceito que sofrem na desigual sociedade de Hominum. 
O aprendiz passou muito longe das minhas expectativas. Já havia lido que a história é uma mistura de Harry Potter, O senhor dos anéis e Pokémon, mas não acreditava que tais influências estivessem tão presentes na historia ao ponto de tais semelhanças incomodarem - principalmente as com Harry Potter. Isso tornou o livro extremamente previsível e desanimou a leitura. O autor poderia ter explorado mais sua imaginação para trazer algo novo. A ideia de conjuradores é ótima, por isso me senti decepcionada. No fim, foi como se estivesse lendo uma fanfic. 

Com relação a narrativa, sinto que ficou faltando algo. Não sei dizer ao certo se o que falta é riqueza nos detalhes ou amadurecimento da escrita de Taran Matharu, ambos são fatores que considero essenciais em uma boa história. 

É um livro capaz de agradar a um grande público - e certamente o fará. Os volumes seguintes serão lançados em breve no Brasil. Apesar dos pontos negativos que mencionei, estou ansiosa pelo próximo livro. Acredito que a escrita do autor terá amadurecido e que podemos contar com um grande progresso tanto de sua parte, quanto por parte da história. Fãs de fantasia, leiam! 
terça-feira, janeiro 05, 2016 No pessoas devoraram
Não conhecia nada do trabalho de Sarah J. Maas até ter Corte de espinhos e rosas nas mãos. O que me tentou a ler o último lançamento da autora não foram os inúmeros comentários positivos com os quais já me deparei, mas a temática que prometia um pouco de A Bela e a Fera - um dos meus contos de fadas favoritos - e Guerra dos Tronos - que está longe de ser minha série de livros favorita, mas não retiro o mérito, e claro. A mistura de dois elementos incríveis da literatura só poderia resultar em algo excelente. Pelo visto, quando o assunto é excelência, Maas entende bem. 
Depois de anos sendo escravizados pelas fadas, os humanos conseguiram se libertar e coexistem com os seres místicos. Cerca de cinco séculos após a guerra que definiu o futuro das espécies, Feyre, filha de uma casal de mercadores, é forçada a se tornar uma caçadora para ajudar a família. Após matar uma fada zoomórfica transformada em lobo, uma criatura bestial surge exigindo uma reparação. Arrastada para uma terra mágica e traiçoeira - que ela só conhecia através de lendas -, a jovem descobre que seu captor não é um animal, mas Tamlin, senhor da Corte Feérica da Primavera. À medida que ela descobre mais sobre este mundo onde a magia impera, seus sentimentos por Tamlin passam da mais pura hostilidade até uma paixão avassaladora. Enquanto isso, uma sinistra e antiga sombra avança sobre o mundo das fadas e Feyre deve provar seu amor para detê-la... ou Tamlin e seu povo estarão condenados. 
Em Corte de espinhos e rosas, o leitor é apresentado a um mundo inteiramente novo e único. Além de mágico, é claro. Tudo no mundo criado por Sarah J. Maas é mágico e fiquei estupefata com a facilidade e leveza em que este universo é apresentado. Por ser tão inovador, é possível se sentir um pouco perdido aqui e ali, no entanto, não é nada que afete a história. O leitor irá querer um armário como o de Nárnia para dar umas voltas nesse mundo mágico! 

Feyre é uma personagem incrível. Corajosa, decidida (dependendo do momento, é claro) e forte, muito diferente do resto de sua família. Tamlin pode ser um personagem que cause raiva no início, principalmente por conta de sua personalidade um tanto quanto misteriosa, mas assim como a história vai ganhando forma, Tamlin vai desenvolvendo a um ponto em que é muito difícil não simpatizar com o senhor da Corte Feérica da Primavera. 
Era Tamlin, mas não era. Na verdade, era o Tamlin com quem eu tinha sonhado. Sua pele reluzia com um brilho dourado, e, ao redor de sua cabeça, um círculo de sol resplandecia. E os olhos de Tamlin... Não eram apenas verdes e dourados, mas de todos os tons e variações imagináveis, como se cada folha da floresta tivesse escorrido e formado um único tom. 
Com uma narrativa extremamente envolvente, um universo atraente e reviravoltas - sim!, aquelas em que você nem ao menos esperava -, o único momento em que a história deixa a desejar é em seu início. No entanto, é compreensível. Afinal, trata-se do início de tudo e explicações, que se fazem necessárias. Corte de espinhos e rosas é um livro difícil de largar uma vez que se engata na leitura. 

A editora, Galera Record, deu um show na diagramação. Dá prazer de ler! A capa é linda - não dá para não gostar dessas cores! - e por dentro, o livro não perde a beleza. 

Mas não termina por aí! Tem muita coisa para acontecer ainda! Esse é somente o primeiro volume (não sei quantos livros serão no total) e pelo andar da carruagem, Maas pretende surpreender ainda mais o leitor e eu só consigo ficar mais curiosa pelo que está por vir. 

Título: Corte de espinhos e rosas
Autor(a): Sarah J. Maas
Número de páginas: 434
Editora: Galera Record
Nota do Como Devorar Livros: 4/5
sábado, dezembro 19, 2015 6 pessoas devoraram
Colleen Hoover é um dos nomes mais mencionados quando o assunto é Young Adult. Mas pasmem: eu nunca havia lido nada da autora, muito menos um livro do gênero YA que seguisse a linha de Hoover. No entanto, para tudo tem a sua primeira vez, né? Pelo menos, é o que diz o ditado. Quando O lado feio do amor foi lançado, esperei pelos comentários para decidir entre ler ou não. Com tantos comentários positivos, acabei cedendo. E que bom que o fiz. O livro me prendeu de tal forma que comecei em uma tarde e terminei no dia seguinte! 
Quando Tate Collins se muda para o apartamento de seu irmão, Corbin, a fim de se dedicar ao mestrado em enfermagem, não imaginava conhecer o lado feio do amor. Um relacionamento onde companheirismo e cumplicidade não são prioridades. E o sexo parece ser o único objetivo. Mas Miles Archer, piloto de avião, vizinho e melhor amigo de Corbin, sabe ser persuasivo... Apesar da armadura emocional que usa para esconder um passado de dor. O que Miles e Tate sentem não é amor à primeira vista, mas uma atração incontrolável. Em pouco tempo não conseguem mais resistir e se entregam ao desejo. O rapaz impõe duas regras: sem perguntas sobre o passado e sem esperanças para o futuro. Será um relacionamento casual. Eles têm a sintonia perfeita. Tate prometeu não se apaixonar. Mas vai descobrir que nenhum regra é capaz de controlar o amor e o desejo. 
Tenho muitas ressalvas com relação a esse livro, desde o modo com que Tate é tratada (na grande maioria das vezes, como um objeto descartável), que me deixava mais com raiva do que desconfortável, ao drama pra lá de mexicano de Miles. Não sei se isso é um elemento presente na literatura Young Adult, mas não me agradou nenhum pouco. No entanto, enquanto planejava esta resenha, me perguntei inúmeras vezes se deveria levar esses fatores em consideração na avaliação do livro. Afinal, O lado feio do amor, apesar dos pesares, havia cumprido o seu dever: entreter. E a todo momento, eu me via torcendo para que Tate fosse tratada como merecia e que Miles deixasse o seu drama de lado. Então, não adianta, o livro me envolveu. 

A narrativa do livro, além de envolvente - como já mencionei -, é direta e os capítulos variam entre o ponto de vista de Miles e Tate. Enquanto os de Tate são narrados no presente, o de Miles mostra o passado do personagem em uma estrutura diferente do resto do livro e que ao meu ver, ajuda a aproximar ainda mais o leitor. 

Gostei muito dos personagens secundários. Cap, que trabalhava no edifício de Corbin, e o próprio Corbin, cuja história poderia ser um pouco mais desenvolvida, pois a única coisa que se pode assumir do personagem é seu caráter mulherengo e protetor. O casal principal tem química. Muita química. O que acabou me fazendo enfrentar um verdadeiro dilema: torcer para que os dois fiquem juntos ou para que Tate arranje coisa melhor? 
O amor nem sempre é bonito, Tate. Às vezes você passa o tempo inteiro desejando que um dia ele mude. Que melhore. E aí, antes que perceba, você já voltou para a estaca zero e perdeu o seu coração em algum lugar no meio do caminho. 
Não se trata de um romance lindo, desses que a maioria está acostumado a ver por aí. Pelo contrário, como o próprio título denuncia: é um lado feio do amor. Ao mesmo tempo em que para muitos isso pode ser algo ruim, eu achei interessante ler uma história cujo intuito não é mostrar somente o lado bonito e comumente abordado do amor, afinal, não é só disso que ele sobrevive, né? 

Título: O lado feio do amor
Autor(a): Colleen Hoover
Número de páginas: 336
Editora: Galera Record
Nota do Como Devorar Livros: 4/5
sexta-feira, dezembro 04, 2015 1 pessoas devoraram
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Rebecca Souza, aspirante à escritora e poliglota.
Estudante de Relações Internacionais, apaixonada pela língua de Cervantes e Soseki, sonha em publicar um livro. Em 2013, criou o Como Devorar Livros para compartilhar suas experiências literárias e desde então não parou: de ler e falar sobre os livros que leu.

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