O MENINO DO PIJAMA LISTRADO, de John Boyne

Aproveitando o momento ótimo para ler John Boyne, assim que terminei O menino no alto da montanha (leia a resenha aqui), comecei a leitura de O menino do pijama listrado, o grande sucesso do autor. Tendo já assistido ao filme, foi difícil não criar expectativas e esperar por uma história incrível e bem escrita. Sem surpresas, assim o foi. Com somente dois livros lidos, John Boyne já está na minha lista de escritores favoritos. 
Bruno tem nove anos e não sabe nada sobre o Holocausto e a Solução Final contra os judeus. Também não faz ideia que seu país está em guerra com boa parte da Europa, e muito menos que sua família está envolvida no conflito. Na verdade, Bruno sabe apenas que foi obrigado a abandonar a espaçosa casa em que vivia em Berlim e a mudar-se para um região desolada, onde ele não tem ninguém para brincar nem nada para fazer. Da janela do quarto, Bruno pode ver uma cerca, e para além dela centenas de pessoas de pijama, que sempre o deixam com frio na barriga.
Em uma de suas andanças, Bruno conhece Shmuel, um garoto do outro lado da cerca que curiosamente nasceu no mesmo que dia que ele. Conforme a amizade dos dois intensifica, Bruno vai aos poucos tentando elucidar o mistério que ronda as atividades de seu pai. 
Quando falamos de O menino do pijama listrado, existe um ponto que precisa ser abordado e que se faz presente durante toda a narrativa: a inocência. Embora o livro seja narrado em terceira pessoa, o narrador é onisciente e deixa o leitor a par de tudo o que se passa na cabeça do pequeno Bruno. A delicadeza com que o autor escreve sobre seus pensamentos e descobertas é de uma esperteza inegável, tornando o livro mais incrível do que a história já é. Além disso, como já é de se esperar devido a diferença das artes, essa inocência não foi tão representada no filme e sim, subentendida.

John Boyne não perde tempo dando voltas, vai direto ao ponto. Não explica fatos históricos se Bruno os desconhece, retrata tudo como se estivéssemos na mente da criança. E, venhamos e convenhamos, um menino de nove anos não está interessado em história ou política e sim, nas formas de explorar a nova casa e fazer novos amigos. É nisso que Boyne foca - olha a inocência novamente aí. 
"Não dói tanto assim", disse Pavel numa voz gentil e delicada. "Não torne as coisas piores, pensando que dói mais do que você realmente está sentindo". 
Por esse motivo, podemos dizer que é um livro leve no limite que um assunto sério como esses permite ser. Afinal, o leitor provavelmente estará ciente de todas as atrocidades ocorridas no período e as encontrará nas entrelinhas, e não descritas nua e cruamente. Trata-se de uma história emocionante, de fato. Boa parte disso se deve a linda e pura amizade entre Bruno e Shmuel, dois meninos solitários que coincidentemente fazem aniversário no mesmo dia. É impossível não sentir vontade de abraçá-los e acalentá-los. Seus diálogos são uma das melhores partes do livro. Assim como Bruno, eu também ansiava por seu próximo encontro com Shmuel só para ler suas conversas. 

Outro ponto que vale a pena ser tratado aqui é a diferença entre o final do filme e do livro. É claro que a diferença não é gritante, mas existe. O final do filme tem um ar mais impactante, mais cinematográfico, enquanto no livro, temos um final mais lento, em que os acontecimentos não ocorrem da mesma forma que no filme, combinando mais com a arte que é a literatura. Qual final é melhor fica nas mãos do leitor e telespectador. 

O menino do pijama listrado é um livro curto e envolvente que devia ser lido por todos. Uma vez ou outra precisamos ler livros como esse, manter a história viva em nossa memória para impedirmos que atrocidades como essa não ocorram nunca mais. 

Título: O menino do pijama listrado
Autor(a): John Boyne
Editora: Seguinte
Número de páginas: 190
Nota: 5/5

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